O Efeito Venâncio Mondlane em Angola: Entre Vergonha Pública e Reflexões Democráticas

13 de Março: Um Dia para a História?
O dia 13 de março de 2025 já se inscreve na memória coletiva de Angola – mas não pelas razões que gostaríamos. O episódio em que 13 dos 17 convidados para uma conferência internacional sobre democracia foram impedidos de entrar no país deixou o mundo de olhos postos em Luanda. Entre os retidos estavam figuras de peso, como Venâncio Mondlane, dois ex-presidentes — do Botswana e da Colômbia — e um ex-vice-presidente do Quénia.
Sem qualquer explicação oficial convincente, a situação gerou uma onda de indignação dentro e fora de Angola. Independentemente das cores partidárias ou do organizador da conferência, o episódio expôs uma fratura preocupante na imagem do país perante a comunidade internacional.
"Se eu tivesse poder, declararia o dia 13 de março o Dia da Vergonha Pública." — Cesaltina Abreu
Impacto na Imagem de Angola
A retenção dos convidados — sem explicações, sem apoio, e com denúncias de maus-tratos — lança dúvidas sobre o compromisso de Angola com a democracia e a livre circulação de ideias. Mais grave ainda, isso acontece num momento em que o presidente angolano assume a liderança da União Africana, levantando questões sobre a legitimidade moral de seu novo papel.
Como um país que barra o acesso de líderes democráticos pode guiar o futuro da integração africana? Esta é uma pergunta que ressoa além das fronteiras angolanas.
A Conferência e o Significado da Democracia
A conferência, focada no desenvolvimento da democracia em África, agora ganha um novo simbolismo: o de resistência e exposição das contradições. Angola, que deveria ser palco de debates e reflexões sobre a democracia no continente, acabou se tornando protagonista de uma narrativa oposta, reforçando a percepção de autoritarismo e censura.
"Como fica a reputação do regime e de todos nós, angolanos, perante as declarações de maus-tratos e a falta de cuidados aos retidos?" — Cesaltina Abreu
Uma Vergonha Que Ecoa
O episódio do aeroporto não foi o único golpe à imagem do país. No mesmo dia, o antigo presidente da CNE foi anunciado como o melhor classificado num concurso altamente questionado, desenhado para privilegiá-lo. Esse desdobramento aumenta a sensação de uma democracia sequestrada, em que as instituições parecem moldadas para perpetuar o poder e sufocar a participação popular.
O Futuro da Democracia Angolana
À medida que Angola tenta se posicionar como uma liderança continental, eventos como este deixam marcas profundas. Para muitos cidadãos, resta a angústia da vergonha coletiva e o medo de que esse seja apenas mais um capítulo de uma longa série de retrocessos.
Cesaltina Abreu encerrou sua reflexão com uma pergunta que reverbera entre os angolanos: "É possível sobreviver a tamanha vergonha, sobrecarregada pela crônica da fraude anunciada?"
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